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O que você precisa saber sobre diástase abdominal

O que você precisa saber sobre diástase abdominal

Qualquer mulher sabe que o corpo se transforma durante a gestação.

São meses, ou melhor, semanas em que o corpo vai ganhando novas formas e contornos. O crescimento da barriga para acomodar o bebê no útero, a ação hormonal sobre os tecidos conjuntivos e o deslocamento dos órgãos abdominais comumente promovem a diástase abdominal, que nada mais é do que o afastamento dos feixes do músculo reto abdominal na linha média do abdômen (linha alba).

Alguns estudos apontam que a diástase abdominal pode ocorrer entre 66% a 100% dos casos durante o terceiro trimestre da gestação e mais de 53% imediatamente após o parto, situação relativamente comum, mas que pode trazer consequências negativas para a saúde da mulher.

A parede abdominal exerce importante função na postura, na estabilidade da pelve e do tronco, na respiração, nos movimentos da coluna e no suporte dos órgãos e vísceras pélvicas. Um afastamento significativo dessa musculatura provoca instabilidade na coluna lombopélvica, predispondo à dor lombar e fraqueza dos músculos do assoalho pélvico. Não podemos esquecer que, em alguns casos, pode vir acompanhada de hérnia umbilical também. Esteticamente, estamos falando de um abdômen mais flácido, somado ao excesso de pele e de tecidos moles.

Exercícios regulares antes e durante a gestação reduzem o risco do desenvolvimento da diástase abdominal e do tamanho desse afastamento, respectivamente. Os estudos mostram que os exercícios ajudam a manter o tônus, a força e o controle dos músculos abdominais, consequentemente reduzindo o estresse sobre a linha alba. No pós-parto, exercícios abdominais específicos são indicados como recurso não cirúrgico para a diástase, assim como o cuidado com a postura nas atividades diárias e a reeducação postural. Não podemos deixar de enfatizar que é nesta fase que o assoalho pélvico deve ser fortalecido uma vez que passou 9 meses carregando todo o peso da gestação.

Assim, quando falamos em retorno do corpo após a gravidez temos que ter em mente que o puerpério é um período da vida da mulher repleto de hormônios agindo para manter a amamentação. Os órgãos estão retornando à sua posição anatômica, o coração e o pulmão estão se readaptando à nova demanda e a mente da mãe está voltada ao vínculo com seu bebê.

Foto: Dakota Corbin no Unsplash

O foco não é buscar o corpo perfeito, o peso e a barriga de um ano atrás e sim recursos que promovam a sua saúde nesse momento e para o futuro.

Abordar uma diástase abdominal precocemente permite uma melhor consciência da musculatura abdominal, um melhor uso dela na sua função, uma recuperação mais rápida e uma diminuição dos riscos de dor lombar e fraqueza de assoalho pélvico, além é claro, da melhora da flacidez abdominal. Uma vez que essa mulher tem a consciência de como acionar a musculatura abdominal e a musculatura do assoalho pélvico corretamente, ela está preparada para retornar às suas atividades físicas com o propósito estético, mas, com segurança.


Referências

Benjamim DR, et al. Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominais muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. Physiotherapy (2013).

Rhett MT, et al. Prevalence of diastasis of the rectus abdominais muscle immediately postpartum: comparasion between primiparae and multiparae. Rev Brasil Fisioter (2009).

Candido G, Lo T, Janssen P. Risk factors for diastasis of the recti abdomini. J Assoc Chart Physiother Womens health (2005).

Charello CM, et al. The effects of an exercise program on diastasis recti abdominais in pregnant women. J Womens Health Phys Ther (2005).

Boissonnault JS, Blaschak MJ. Incidence of diastasis recti abdominais during the childbearing year. Phys Ther (1988)

https://www.pilates.com.br/diastase-do-reto-abdominal-por-que-surge-e-como-voce-pode-preveni-la-ou-trata-la/

Fotos: WenPhotos e Dakota Corbin no Unsplash e acervo pessoal.


 

Fisioterapeuta especializada em saúde da mulher pela Unicamp e mestrado pela FCMSCSP (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo). Atua com a prevenção e o tratamento das disfunções que acontecem na região pélvica e nos músculos do assoalho pélvico tanto em mulheres como também em homens e crianças.